A FÉ E A NOVIDADE DE VIDA
Apenas uma migalha de Jesus para nós é suficiente
Escreve: José Carlos Socorro
Certa feita, uma mulher procurou o Senhor, pedindo que pudesse curar a sua filha de uma enfermidade. Esta mulher era cananéia, não fazia parte do povo hebreu. Mas, ao ouvir falar de Jesus, foi até Ele e clamou pela cura de sua filha. Jesus volta-se para esta mulher abatida pelo sofrimento, e diz: “Não é justo que o pai pegue o pão que é dos filhos e dê aos cachorrinhos”. A mulher, diante de Jesus, não se abate, e afirma: “Mas, Senhor, os cachorros se alimentam com as migalhas que caem das mesas dos filhos”. E Jesus, olhando para ela disse: “Mulher, é grande a sua fé, que seja feito conforme o desejo do seu coração. Naquele mesmo instante a filha dela foi curada” (Mt 15:28).
Apenas uma migalha de Jesus para nós, ainda que não seja em plenitude, é suficiente para restaurar nossas vidas, tamanho é o poder que está nas mãos deste Senhor. Senhor que não está distante, como alguns pensam. Alguns acham impossível para a espécie humana chegar aos pés de Jesus. Não é. Jesus está perto de nós, olhando para o nosso coração, se condoendo de nossos sofrimentos, da dureza de nossos corações, e disposto, com toda autoridade que Deus lhe deu, para livrar-nos de tudo o que nos atormenta.
Estejamos, pois, sempre na Igreja, em contato com a Palavra de Deus, para que Jesus tenha piedade de nós, e nos guarde. Estejamos sempre na igreja, para que nossas almas não sejam envolvidas pelas mentiras que têm tomado conta deste mundo. Ainda que a Palavra de Deus alerte a todos sobre a presença de satanás, ele está fazendo as pessoas cegas, fazendo com que não percebam a presença desse inimigo à sua volta.
E nesse campo de ignorância ele tem feito todo seu trabalho, dividindo-nos uns contra os outros, criando situações que nos faz acreditar em coisas que não existem, porque o seu único propósito é nos destruir. Mas não nos vencerá se estivermos com o amor de Jesus. Se estivermos unidos a Cristo pela Palavra de Deus. Se estivermos unidos num só corpo, num só propósito. Pois, se estivermos separados, sabemos que uma casa dividida não subsiste, ela cai. Confiemos, pois, em Jesus. Tenhamos fé, creiamos que Jesus pode mesmo nos livrar.
Sobre a fé, não podemos estar enganados. Martinho Lutero, no livro Da Liberdade do Cristão, escreve sobre ela, dizendo o seguinte: “A fé não é a ilusão e o sonho humano que muitos tomam por fé; e quando vêem que não ocorre nenhuma melhora em sua vida, nem boas obras, mesmo ouvindo e falando muito da fé, as pessoas caem no erro de dizer que a fé não basta e seria preciso fazer obras caso queiram tornar-se devotas e bem-aventuradas”.
Ele nos orienta sobre o cuidado que temos que ter para não nos enganarmos acreditando que temos fé, pois a fé não é uma ilusão. Ela produz um sinal em nosso coração. Quando a fé chega para nós há uma mudança de vida. Ela não é conseguida por nós mesmos, é dada por Deus. Como diz Paulo em sua Carta aos Efésios: é dom de Deus. Paulo ainda diz em Romanos que esta fé vem pelo ouvir, e ouvir pela palavra de Deus. Portanto, ela não vem de homens, não vem das obras, ela não vem dos nossos conhecimentos, das nossas realizações, mas é Deus que dá para aquele que escuta a sua palavra. A fé produz mudanças em nossas vidas. Portanto, se nós dizemos que temos fé, e continuamos com a mesma vida, é bom que possamos abrir os olhos, pois talvez estejamos envolvidos em mais uma ilusão.
Ele diz ainda: “A fé é uma obra divina em nós, que nos modifica e nos faz renascer para Deus”. Portanto, a fé estabelece entre nós e nosso Pai um laço definitivo, inquebrantável, de amor, de respeito, de honra. É um laço de louvor para com nosso Deus. Ela nos dá um espírito de amor, de mansidão e servidão, e nos torna diferentes. É uma novidade de vida, um renascimento. Lutero prossegue dizendo: “A fé é uma confiança viva e ousada na graça de Deus”. E a graça de Deus é que Jesus Cristo foi dado para nossa salvação. E passamos a ter uma confiança ousada, uma confiança plena em Jesus Cristo. Essa confiança é “com tanta certeza que morreria mil vezes por ela se fosse necessário” continua o reformador. “E uma tal confiança e conhecimento da graça divina dá alegria, coragem e disposição perante Deus e todas as criaturas. É o que o espírito Santo faz por meio da fé. Por isso, pela fé, sem coação, (sem mandamento, sem constrangimento, sem obrigação, sem que seja um dever), todos se tornam voluntariosos e dispostos a fazer o bem, a servir a todos, a sofrer todo tipo de coisa por amor e em louvor a Deus, que manifestou semelhante graça”.
A fé, portanto, nos torna voluntariosos, sem que haja uma obrigação, sem que haja um dever. Torna-nos seres sempre prontos para servir, para sofrer se for o caso, sempre prontos para dar testemunho se for necessário, sempre prontos para dar glória a Deus pela graça que ele manifestou entre nós. Se temos fé somos novas criaturas, há uma novidade de vida em nós. Por isso, sempre que for possível temos que estar na igreja, ouvindo a palavra de Deus. Não se pode perder nenhuma oportunidade. A palavra de Deus há de despertar nos corações a fé, este espírito voluntário. Estejamos sempre dispostos a ouvi-la, permanecendo diante de Jesus voluntariamente, e, como fez Paulo, perguntando para Ele: o que queres que eu faça, Senhor? Que seja assim. Amém!.