ENTREGUE-SE AO SENHOR
A vida sem Deus é pesado fardo
Escreve: Antonio de Pádua
"Mestre, havendo trabalhado toda noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede". Lc, 5-5.
Vivemos afadigados pelas coisas do mundo, preocupados excessivamente em acumular conhecimentos e tesouros terrestres. Passamos anos e anos perseguindo um bom trabalho, muitas vezes em vão. Lutamos e lutamos, mas, não raro, somos derrotados pela competição agressiva, pela falta de piedade, pelo individualismo e egoísmo. Por isso choramos e nos desesperamos e, então, somos vencidos pelo cansaço e desanimamos. Voltamos para casa sem vitória, sem alimento e sem esperança, porque sabemos que com dor comeremos da terra todos os dias, pois o pão nosso dependerá do suor do nosso rosto, como está escrito.
A vida sem Deus é mesmo um pesado fardo, no entanto, o homem insiste em se rebelar contra a vontade do nosso Pai. Acha que, com seu próprio esforço, conseguirá salvar a sua vida e de sua família. Que sozinho conseguirá alimento para sua casa. Por faltar-lhe um coração obediente, dócil e humilde, não tem coragem de colocar sua vida e dos seus nas mãos do nosso Senhor Jesus. Acha impossível, somente crendo Nele, vencer o mundo. Tolos somos quando pensamos dessa maneira, pois todas as coisas foram entregues nas suas mãos. Apesar disso, a relação que o mundo tem com nosso Senhor é de desconfiança e incredulidade.
Se pudéssemos soltar a nossa ira ao vento, resmungaríamos a qualquer pessoa que se aproximasse de nós, irritados com o resultado daquele dia infrutífero. Mas, Alguém com autoridade dada por Deus, nos diz que o dia não acabou e nos convida a lançar novamente a rede, confiados Nele. Assim, cansados, desanimados, vencidos, desolados e abatidos, chegamos aos pés de Jesus. Cheio de compaixão, o Senhor enxuga as nossas lagrimas e diz: "filho, sou eu, tenha bom ânimo. Não temas". Ainda manquejando, obedecemos, mais por medo da morte do que por fé. Então, somos tomados de uma grande surpresa. Descobrimos que aquele Senhor pode nos alimentar abundantemente.
Envergonhados, dizemos a Ele: "Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador, não sou digno que entreis em minha vida, em meu coração, em minha intimidade". Entretanto, Ele nos diz que não veio chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento. Então, nos sobrevém uma profunda alegria de salvação. A vida passa a ter um novo brilho e outro significado para nós, não mais corremos, tão somente, atrás do pão que alimente o nosso corpo, mas descobrimos que com Ele existe um outro pão, ainda mais excelente, duradouro e eterno, o qual alimenta e vivifica a alma.
Quão bom para as nossas almas será restabelecer o vínculo perdido da fé com o nosso Senhor. Que glória será podermos dizer que, doravante, a palavra de Deus será nosso guia, nossa luz, nosso caminho e nossa vida. Já não tememos mais os ventos e nem tempestades, porque nossos pés estão sobre Rocha firme, agasalhados das intempéries da vida. Sofreremos tribulações e aflições, porque ainda estamos no mundo de dores, mas não mais nos desesperamos, não mais nos angustiamos com o que comer e vestir. Não mais somos fonte ou origem de escândalos. Passou a habitar em nossos corações uma certeza inabalável, um amor que excede todo entendimento humano, exatamente por isso criamos coragem para nada mais duvidar, nada mais ajuizar, nada mais confundir, porquanto tudo podemos naquele que nos fortalece.
Viver a mente do Cristo é honrar ao SENHOR da vida, não seguindo mais os nossos próprios caminhos, nem pretendendo fazer a nossa própria vontade. É um completo esvaziamento de nós mesmos. É uma entrega total e absoluta da nossa vida, é alojar um santo hospedeiro em nosso coração, pois a sua palavra nos limpou dos maus pensamentos, dos adultérios, das prostituições, dos homicídios, dos furtos, da avareza, das maldades, do engano, da dissolução, da inveja, da blasfêmia, da soberba, da loucura, em fim, de todo pecado. Estamos prontos para receber este batismo? Temos coragem para beber desse cálice? É evidente que mesmo havendo tal entrega, ainda precisamos de algum tempo para que sejamos totalmente limpos de nossas mazelas, salvo se o SENHOR o quiser, tal qual o fez com o leproso que se prostrou sobre o seu rosto e rogou-lhe que, se quisesse, bem podia limpá-lo. Então sobreveio a cura instantânea, apenas com duas palavras: "Quero, sê limpo".
Seria maravilhoso, se nos sentíssemos tão necessitados quanto aquele leproso, porquanto bastaria nos jogar no chão de rosto em terra para que houvesse a cura ou o perdão dos nossos pecados. Infelizmente, a nossa importância pessoal, social e nosso falso cristianismo tem nos levado a caminho distante da fé, pois preferimos a razão, a filosofia e a ciência no trato dos nossos vazios, consequentemente a cura não vem e o perdão não nos alcança. Por isso resmungamos, choramos e nos rebelamos contra Deus, achando-nos injustiçados. Mais, o Senhor Jesus diria: "filho apenas creia em mim; creia que sou o FILHO DE DEUS; deixe que eu cuide de sua vida, deixe que eu zele por tua casa, tua família e tua alma; me entregues as chaves de sua casa; deixe-me entrar e cear contigo". Contudo, a razão é a primeira a dizer não, não entres; a filosofia interroga e busca respostas e a ciência quer uma prova material da existência do Senhor.
Por que resistimos à luz? Ela não nos condenará, apenas nos conduzirá de volta à cidade santa ou celestial, de onde nunca deveríamos ter saído. Quiçá, precise o Senhor somente de dizer apenas duas palavras para restaurar e endireitar nossas almas: QUERO, SÊ LIMPA. O ato de entregar-se pressupõe amizade, intimidade e confiança. Não pode a esposa amar seu marido sem antes entregar-se a ele; não pode o marido amar a sua esposa sem antes ter por ela afeição, carinho, amizade e confiança. Somente assim se constrói uma casa sobre rocha. AMÉM e AMÉM!